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De vez em quanto, bem de vez em quando mesmo eu olho para estas fotos tuas, vejo aquele brilho fascinante de quem ainda não se revela, vejo a bondade tão inata, e essas duas coisas sobressaem-se sobre todas as coisas massantes que já não me fazem enxergar você, exatamente na mesma proporção das coisas desnecessárias que você ainda vê em mim. É aquela coisa de potencialmente isso ou aquilo, não é? Você vem através daquilo que sou e é só disso que gosta, e eu vejo através daquilo que você é e é disso que eu gosto. Mas esses atravéses todos são massantes demais também, eu sei. É aquela coisa dos cinco minutos, quando você reflete um bocadinho mas depois vê que ”não, não daria certo, uma pena”. Olha só, já até passou! Você é só um estranho hoje, alguém que eu sentiria imenso prazer em conhecer, mas não conheço. Chega a ser estranha a sensação de olhar no espelho e saber, exatamente, minuciosamente, cada ato meu que nos afastou, cada gesto, cada palavra, cada excesso, cada falta de delicadeza, de subjetividade. Quando eu digo que te teria nas mãos é que eu conhecia a forma certa de ganhar você, mas não, eu não estava pronta para ser eu mesma, atingir a serenidade e a classe necessária. Perdi nós, alguém que cativará vai aparecer, eu sei que vai. Eu só acabo de perceber que ninguém mais me cativou tanto por ser delicado, humano e profundo como você é. Eu só lamento ter conhecido a sua rasura, feliz de quem conseguir penetrar sua muralha, vai se surpreender com tanta doçura, ô se vai!

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